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Mochilão pelo Nordeste: como foi conhecer 7 estados em 15 dias

data do post 20/02/2021 autor do post Oaks Burritos categoria do post explorador

Escrito por: Lucas Morellato

 

Desde criança, sempre gostei muito de viajar. Minha mãe tinha um atlas gigantesco e eu adorava fazer listas de países pra onde eu queria ir por causa das cores das bandeiras. Mas o meu sonho mesmo era conhecer o mundo inteiro – acho que nunca tinha parado pra pensar, até então, na quantidade de lugares incríveis que existiam no Brasil. 

 

Cresci escondidinho quase lá no finzinho do sul do Brasil, sempre rodeado de referências bastante eurocêntricas fazendo parte do meu dia a dia. Pouco me contaram sobre o país onde eu havia nascido e, por isso, todos os outros estados pareciam muito distantes.

 

Felizmente, a gente cresce e começa a ouvir outras versões daquelas histórias que, um dia, alguém nos contou. A faculdade teve um papel fundamental nesse meu movimento. Até mesmo o fato de eu ter tido um relacionamento à distância contribuiu pra me fazer refletir sobre o quão grande é esse país e perceber a quantidade inumerável de coisas que a gente não tem noção que existe por aqui.

 

Decidi então que as minhas próximas viagens seriam com o objetivo de conhecer os diferentes pedacinhos do Brasil: não só pra tirar foto nos pontos turísticos (pra garantir o biscoito no Instagram e as lembranças de um ou dois anos atrás), mas também pra entender como as pessoas se relacionam com esses diferentes espaços. Assim, como eu já tinha tido experiências conhecendo alguns lugares no Sul, no Sudeste, no Norte e no Centro-Oeste do país, eu decidi que seria a hora de voltar pro Nordeste e ir além de Porto Seguro (sim, eu fiz essa viagem no terceirão).

O trabalho andava sempre muito corrido. Eu já tava há algum tempo sem tirar férias, só aproveitando alguns feriados entre amigos mesmo, com preguiça de fazer qualquer planejamento prolongado. Então não me perguntem por que diabos eu resolvi fazer um mochilão exatamente naquele momento. Mas a grana tava contadinha e eu tinha sete estados pra conhecer em quinze dias. Era a única opção. Falei com alguns conhecidos pedindo dicas e passei alguns dias lendo sobre cada um dos estados na tentativa de otimizar ao máximo a minha passagem por cada um deles. Até cheguei a comprar ingresso com antecedência pra um passeio que eu queria muito fazer logo nos primeiros dias da viagem, mas desisti quando eu percebi que seria difícil planejar uma viagem com tantas variáveis. Eu precisava desapegar. Mesmo apreensivo, sem nunca ter pisado nos lugares pra onde eu tava indo, entendi que seria melhor deixar o roteiro ganhar vida sozinho.

Como o tempo era curto, precisei fazer algumas concessões. Pra conseguir encaixar sete estados no roteiro e ter a possibilidade de vivenciar pelo menos um pouquinho de cada um deles, optei por conhecer, basicamente, as capitais e algumas cidades do entorno com a intenção de ficar cerca de dois dias em cada lugar.

A passagem de ida eu garimpei até conseguir uma promoção. O ponto de partida seria Salvador. A mochila eu peguei emprestada, dei meu jeito de fazer caber tudo ali. Precisei facilitar as coisas já que as conexões entre os estados seriam feitas de ônibus ou de carona. As hospedagens eu costumava escolher no dia antes da viagem pra garantir que eu teria onde dormir quando chegasse. Como viajei na época de chuva no Nordeste, a procura não era tão grande. Sempre dá pra arranjar um lugarzinho pra ficar, mas dependendo da época, é bom ficar esperto.

Foi só quando cheguei na Bahia que caiu a ficha de que eu estava sozinho. Aquele roteiro dependia só de mim e mais ninguém. Eu seria o único responsável pelo rumo daquela viagem. O único que viveria cada dia daquela experiência completamente nova na minha vida. Viajar sozinho dá esse frio na barriga: a gente nunca sabe quem vai encontrar pelo caminho, os perrengues que vai passar, as lembranças que vai guardar. A gente não sabe se vai dormir em um quarto cheio de gente, se vai fazer amizades, se vai se apaixonar. Se vai ser bom ou se vai dar tudo errado. Acho que é esse mistério que mantém a adrenalina lá no alto.

O Nordeste oferece mil possibilidades pra gente: é uma região rica na história, nas vivências, na gente, nas praias, no sertão, na música, na gastronomia, na cultura, nas paisagens, na luta, na fé. Por isso, eu acho que cada roteiro que a gente escolhe fazer é único. Eu posso correr o Nordeste mais três ou quatro vezes sabendo que cada uma delas vai ser diferente. No entanto, hoje eu escolhi compartilhar com vocês um pouquinho do que cada lugar deixou no meu coração; um pouquinho do que me faz lembrar de cada quilômetro rodado durante aqueles quinze dias sozinho.

Salvador conta história por todos os cantos. É uma cidade com vida própria, que tá sempre acontecendo. É um lugar que ajuda a entender o Brasil, a colonização portuguesa, a herança africana. É uma energia muito forte. Não sei se é porque foi a primeira parada do mochilão, mas eu senti muito forte. Não dá pra deixar de conhecer o Pelourinho.

A minha passagem por Aracaju foi um pouco mais rápida. Na verdade, meu maior interesse no estado do Sergipe estava no interior. Foram três horas de ônibus até Canindé de São Francisco pra visitar o Cânion do Xingó e conhecer de perto o Rio São Francisco. É um passeio que, infelizmente, não dá pra fazer sem agência. Mas vale muito a experiência. A melhor parte foi, sem dúvidas, fazer o passeio ouvindo músicas que faziam referência ao Velho Chico e ajudavam a entender melhor o valor do rio pro contexto da região.

Quase perdi minha carona na manhã seguinte. Saí correndo e nem tive tempo de tomar café da manhã. Quando o motorista parou em um posto na beira da estrada pra abastecer, eu desci do carro pra comer alguma coisa. Enquanto eu tomava um café morno e comia uma barrinha de cereal, olhei pra mochila no porta-malas daquela Spin e pensei que eu não precisaria voltar pra casa se eu não quisesse. Eu tinha tudo o que eu precisava pra sobreviver: algumas roupas, meu celular, o carregador (rs), um cartão de crédito… E eu mesmo, né? Do que mais eu precisaria? Carro abastecido, pé na estrada.

 

Algumas horas depois, chegamos em Maceió e, logo de cara, não me senti confortável com a escolha do hostel já que rolaram algumas divergências de pensamento com o dono do lugar nos primeiros cinco minutos de conversa. Mas o preço valia muito a pena. Alagoas me recompensou com as praias mais bonitas que eu já vi na minha vida. Não só Maceió, como Maragogi. Mesmo sem ter conseguido fazer o passeio de jangada até as piscinas naturais por conta do mau tempo, não tenho dúvidas de que o litoral alagoano é um dos lugares mais lindos pra se conhecer no Brasil.

 

Depois foi a vez de Recife e a experiência foi completamente diferente. Mesmo que existam praias bonitas a alguns quilômetros da cidade, o rolê em Recife é outro. As pessoas são muito apaixonadas pela cidade e contam a história de Pernambuco com orgulho, mesmo que cada um venha de um canto diferente. É a cidade de maior expressão da cultura do sertão nordestino. Quem vai pra Recife não pode deixar de visitar o Cais do Sertão e o Paço do Frevo. Olinda foi amor à primeira vista. Segue de pé o meu plano de passar o próximo carnaval (com vacina) apertadinho naquelas ladeiras. Conheci pessoas muito especiais em Recife, o que me fez querer estender a minha estadia em 4 dias.

Assim, minha passagem por João Pessoa foi rapidinha. E um pouco frustrada, já que choveu durante quase todo o dia. Não consegui conhecer nenhuma praia, mas tive a chance de acompanhar o Jurandy do Sax tocando seu famoso Bolero de Ravel no pôr do sol na Praia do Jacaré. 

Natal foi a grande surpresa da viagem. Eu já sabia que as praias de Alagoas eram bonitas, mas eu sabia pouca coisa sobre Natal – e saí de lá querendo mais, sentindo que foi pouco. Deixando um pedacinho do meu coração pra trás. Mas como nem só de praia se vive no Nordeste, também vale a pena a experiência de conhecer o maior cajueiro do mundo. 

Dizem que, à medida que a gente sobe o Nordeste, o sol vai ficando mais forte. Tive essa certeza quando cheguei em Fortaleza, às 6h da manhã, com o sol estalando na janela do ônibus. Infelizmente, cheguei numa segunda-feira e boa parte dos rolês culturais estavam fechados. Fortaleza é uma cidade grande, com muita coisa pra oferecer. Vale muito a pena conhecer outras praias como Morro Branco e Canoa Quebrada; pra passar a noite inclusive e curtir a vibe gostosa da vilinha. Mas o que me ganhou mesmo foi me despedir dessa viagem ao pôr do sol no calçadão da Praia de Iracema.

Acho que meu maior perrengue foi conseguir voltar pra casa carregando aquele tanto de sacola com bolo de rolo, cachaça, imã de geladeira, livro de cordel e castanha de caju. Criei mil cenários possíveis na minha cabeça ao longo da viagem, imaginando tudo o que poderia dar errado, mas tudo aconteceu com a maior tranquilidade do mundo. Entre idas e vindas, tive a oportunidade de passar por 12 cidades em quase 1700 km de percurso. Sem tempo pra descanso. Nem pareceram férias. Mas eu faria tudo de novo. Só porque eu tenho a certeza de que tudo seria diferente; de que eu voltaria um Lucas diferente daquele que botou a mochila nas costas pela primeira vez.

 

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