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Surf na Costa Rica – O povo, a cultura e as ondas entre dois oceanos

data do post 30/01/2021 autor do post Oaks Burritos categoria do post surf

Vontade de viver experiências novas, insatisfação no emprego e um pouco de dinheiro guardado foram os ingredientes perfeitos que no momento certo, me fizeram tomar a decisão de fazer as malas partir pra Costa Rica.

Na verdade, sempre penso que a Costa Rica me escolheu. Dentre os tantos lugares que apliquei para vaga de voluntariado pelo site Worldpackers, foi o primeiro que me aceitou. No mesmo dia, no intervalo de um expediente monótono, procurei as passagens e sem titubear, comprei. Que sensação maravilhosa!

Pensar em viajar é lindo e todo mundo gosta. Mas requer uma boa dose de coragem na hora de largar tudo, fazer as malas e partir sozinho pro desconhecido. Às vezes, um momento de vida com muito pouco estímulo e conexão com a nossa personalidade é o que a gente precisa pra essa coragem ganhar potência e encher nossa vida de novas experiências.

Chegando na Costa Rica, logo de cara, não consegui nem pedir um táxi e me dei conta de que a nossa técnica linguística do “portunhol” não é tão eficaz quanto eu imaginava. Me vi aliviada quando encontrei a Fê, uma brasileira que também estava fazendo voluntariado no mesmo hostel e que me mostrou tudo.

O quarto dos voluntários era completamente diferente das fotos do site. Quase não tinha janelas, era super quente e úmido. Se não fosse a exaustão da viagem que me fez capotar na cama, juro que teria procurado outro lugar pra ficar. Essa experiência me ensinou muito sobre a capacidade de adaptação – depois de 1 mês juntos, nós voluntários éramos como uma família e aquele quarto que inicialmente pareceu uma cena de terror, se tornou nosso refúgio e lar tão amado.

Vivi na cidade de Jacó, uma praia no litoral do Pacífico, que recebe um bom fluxo de turistas durante todo o ano e tem bastante infraestrutura quando comparada com as outras praias do país (além de boas ondas, pré-requisito dos lugares que elegi pra tentar o voluntariado).

Sempre torcia para o meu turno não coincidir com a hora da maré cheia, que é quando as ondas ganham força. O hostel era a poucos metros da praia e como trabalhávamos só 4 horas por dia na recepção, sobrava bastante tempo pra surfar, fazer novos amigos e conhecer as redondezas.

O que mais me encantou na Costa Rica, além das ondas e da natureza tropical exuberante, foi o povo. O “slogan” do país é PURA VIDA e de fato, não é meramente uma estratégia para atrair turistas. Eles realmente vivem essa filosofia no dia a dia, sempre com um sorrisão no rosto e uma vibe despreocupada de quem sabe viver o momento presente. Esse foi meu maior ensinamento da viagem: aprender a viver cada dia sob uma nova perspectiva.

No meu segundo mês lá viajei durante duas semanas com uma das minhas melhores amigas que veio do Brasil. Alugamos uma 4×4 velha que era quase como nosso tanque de guerra. Até a apelidamos de “trouble car” (mas isso é outra história e daria mais umas 3 páginas). Viajamos por tudo, desde as praias até as montanhas.

Nessa ocasião pude explorar mais o surf no país como um todo. Nossa primeira parada foi em Santa Teresa – um lugar com um poder especial pra conquistar o coração dos que por lá passam. As ruas são de chão batido, o pôr do sol é de tirar o fôlego e as ondas perfeitas pra todos os níveis. É o pico preferido de muita gente que faz essa surf trip.

Depois de Santa Teresa, fomos pra região de Tamarindo, que é uma praia bem urbanizada e pelo que percebi, atrai principalmente os turistas americanos. A condição não estava muito favorável por lá, então fomos conhecer Playa Negra, que ficava a 40 minutos de carro. Que onda! Uma direita perfeita quebrando sempre no mesmo pico com fundo de pedra (meu primeiro surf num point break, que emoção!).

Naquela região exploramos também a praia de Avellanas, que recebe uma ondulação mais constante e é adequada pra todos os níveis de surf. Acordávamos todos os dias as 5 da manhã pra poder curtir o surf e as praias ao máximo.

Depois desses primeiros dias, viajamos para a parte central do país onde ficam as montanhas e vulcões. Choveu bastante nessa época e os passeios eram mais caros do que nosso orçamento permitia. O contexto era um tanto desanimador, mas, através de um post no facebook oferecendo carona, fizemos um amigo nativo que nos mostrou águas termais e cachoeiras, tudo de graça! A sorte anda do lado dos mochileiros, né? (Pelo menos é o que dizem).

Conhecer o interior do país e os vulcões de pertinho foi muito especial, mas confesso: a prancha no carro pegando poeira me dava uma certa agonia (surfistas entenderão :P). Depois de 4 dias, partimos para o lado do Caribe.

O Caribe conseguiu ser ainda mais lindo. Natureza mais selvagem, quase intocada. Podíamos ver macacos, além de outros bichos, do quintal do hostel. A areia era branquinha e o mar super azul. Infelizmente não era a época das ondulações daquele lado do país, então a prancha continuou pegando poeira.

Apesar da vibe diferente do lado do Pacífico, a atmosfera Pura Vida também era intensa. Fizemos amigos pra toda a vida, criamos histórias pra contar e vivemos intensamente cada segundo.

Mas claro que nem tudo são flores: meu maior medo era ter alguma doença ou me machucar e precisar de um médico. Pois dito e feito. Nesse meio tempo, levei uma picada de aranha que me deixou 2 semanas “off”. Quase não conseguia mexer meu braço de tanta dor e ainda me rendeu uma cicatriz. Intoxicação alimentar e coisas desse tipo também estiveram presentes,  mas qual bom viajante não tem essas histórias no repertório, né?

O restante dos 3 meses de viagem passei em Jacó, retomando o trabalho voluntário no mesmo hostel e revendo meus amigos. Aquele lugar já era meu lar, o sentimento foi como voltar pra casa. Recomendo fortemente a Costa Rica pra uma surf trip: o swell é muito constante, o mar é cristalino e quente. Surfar sem long john tem o seu valor, e se for vendo o sol descer na água então, melhor ainda!  Pura vida ☺

Escrito por: Julia Back

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