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Voluntariado no Nepal: experiências e aprendizados

data do post 05/01/2021 autor do post Oaks Burritos categoria do post explorador

Escrito por: Roberto Teixeira

Recém-formados nas áreas de engenharia civil e arquitetura, eu, Luiz e Gabriel sentíamos muita vontade de usar os conhecimentos adquiridos na faculdade para contribuir de alguma forma para um mundo melhor. Com esse sentimento, começamos a pesquisar ONGs que facilitassem o trabalho voluntário relacionado à construção civil. Encontramos a Build Abroad – uma organização que trabalha em países que sofreram desastres naturais em parceria com ONGs locais, como a Good Earth. 

Começamos a nos organizar para viajar à Kathmandu, capital nepalesa, para participar de um trabalho voluntário organizado pela Good Earth Nepal. Nossa missão era ajudar a comunidade local a reconstruir suas casas, afetadas pelo terremoto de 2015. Inspirados pelo trabalho e instigados a conhecer uma cultura tão diferente, embarcamos em fevereiro de 2018. 

Chegando a Kathmandu, fomos diretamente ao escritório da Good Earth, onde fomos apresentados ao modelo de construção e informados que partiríamos em dois dias rumo a Boulgaun, um povoado onde viviam aproximadamente 100 famílias. Boulgaun fica no distrito de Sindhupalchok (um dos 77 distritos do Nepal), bem pertinho do Tibet. É uma região montanhosa que foi totalmente devastada pelo terremoto, já que estava no epicentro do desastre.

O caminho até o povoado foi bastante duro – como não existe uma frequência de transporte público até a região, as pessoas que entram no ônibus levam tudo que não conseguem produzir no local. Ou seja, durante as 9h de viagem, subimos as montanhas de pé em um ônibus lotado de pessoas, animais e materiais de construção. Depois, caminhamos por mais duas 2 horas até que um caminhão local parou para nos dar carona. E essa foi uma situação bastante divertida: como nenhum de nós falava nepali, a comunicação verbal era praticamente nula – nos expressamos através de mímicas para explicar o que estávamos fazendo e onde precisávamos chegar, um povoado do qual conhecíamos somente o nome (que provavelmente não pronunciávamos bem). 

Chegando a Boulgan, conhecemos a família com a qual iríamos fazer todas as refeições daquele dia em diante e começamos a montar as barracas que seriam nossa casa por aproximadamente um mês. No dia seguinte, DN (uma espécie de mestre de obras local que falava inglês com fluência) nos apresentou à família dona da casa que ajudaríamos a reconstruir e nos explicou como seria o passo a passo da construção. 

O modelo construtivo proposto seguia o sistema de “earth bags”: basicamente sacos recheados de terra e pó de tijolo que, entrelaçados, formam uma estrutura pensada para resistir a futuros terremotos.

A conexão com a comunidade local foi incrível. Desenvolvemos juntos uma comunicação improvisada para trabalhar de maneira coordenada na construção e pouco a pouco foi possível conhecer mais sobre a personalidade de cada um em uma relação muito honesta. Botamos a mão na massa junto com a comunidade de moradores, que nos ensinou muito. E aqui surge uma reflexão muito importante sobre voluntariado: nosso papel era ensinar aos locais como construir com esse tipo de sistema, para que depois eles pudessem seguir o trabalho por conta própria, sem depender de ninguém. 

Ver as condições em que o povoado vivia, reflexo das oportunidades e possibilidades em um cenário tão complexo e desfavorável, foi muito impactante. E nesse contexto também foi importante pra gente perceber que não estávamos tirando o trabalho de uma pessoa local por sermos voluntários e “não cobrarmos”. Nos encontramos na posição de contribuir em uma situação em que ajuda era realmente necessária, e esse sentimento foi muito gratificante. 

Ser capaz de compreender esta situação também foi parte importante do processo. Ver a pureza no que é simples e entender que muitas vezes tornamos as coisas muito mais complicadas do que realmente são. Depois de muito trabalho duro, muito Dal Bhat (prato local de arroz, lentilhas e vegetais), muitas risadas e alguns tragos de bilu (uma cerveja fermentada com arroz), finalmente terminamos a construção da casa.

Deixamos o povoado com a noção de que havíamos ajudado uma família, mas que realmente ainda existe muito trabalho pela frente para que essas pessoas possam vir a ter condições de vida dignas. O Nepal é um país sensacional, com muitos destinos para serem conhecidos e uma população muito receptiva. Ao mesmo tempo, vive uma crise econômica e social impulsionada por um governo corrupto. 

Não é necessário ir até o Nepal para participar de um voluntariado. No Brasil mesmo existem muitas organizações responsáveis realizando trabalhos incríveis, é só pesquisar para encontrar a oportunidade ideal. Nossa experiência no Nepal foi muito valiosa e é com o relato dela que deixo aqui meu incentivo a todos que tenham a oportunidade e força de vontade de contribuir de alguma maneira. 

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